E o quadro a óleo?

by 16:30

  Quando te olha nos olhos e você se desmonta toda, quando os seus braços estão esticados me pondo sobre o cavalo branco e me levando ao infinito e além, logo após um beijo me despertar da morte. Depois de caminharmos à cavalo em rumo ao horizonte brilhante o que faremos? Vamos rir como se tivéssemos engolido gás hélio, vamos deixar os nossos olhos brilharem e completar as frases um do outro, vamos cariciar nossos dedos, nos aproximar e quase dar um beijo, pois a partir daí a cena se encerra e em belo letreiro anuncia: Fim.  

  Como é feito a mistura de uma tinta a óleo? Os iniciantes nessa arte tendem - creio que por ansiedade - a comprar inúmeras tintas e mistura-las produzindo assim um quadro sem personalidade, e de brilho falso, como alguns arriscam a dizer. Uma das dicas que achei na internet é experimentar fazer do seu jeito, em tonalidades diferentes, e ouso a dizer que você vai começar a sentir seu coração a palpitar vagarosamente quando o tom se aproximar. Uma dica muito interessante do site "Amo pintar" diz  que cores complementares, cores opostas no círculo cromático, criam combinações vibrantes e beneficiam-se um ao outro quando colocados lado a lado, então ao mistura-se elas neutralizam-se, posso dizer que elas tornam-se uma? A tinta a óleo é tão delicada que fica molhada durante d i a s, e nesse período o cuidado é redobrado, ponha em um lugar escuro, seguro, fresco e sem poeiras. É bom também anotar que a ventilação deve ser sempre adequada, pois o cheiro da tinta pode ser irritante ou perigoso. Num quadro é um importante esquecer de Da Vinci, Malena Flores, Van Gogh, Michelangelo, Raíssa Bulhões, não é esquecer de jogar no mar do esquecimento e rir maléficamente após, mas sim saudosamente agradecer por todo caminho e sussurrar o seu nome para si mesmo, lembrar dos dedos que agora carregam o pincel. E voilà, deleite-se sobre a pintura.

   Ao subir no cavalo a garota pode fraquejar e simplesmente dizer que não consegue subir, ela tem medo de altura, ela acha que o cavalo vai dar um coice, ele vagarosamente suspirou, mas desceu do seu cavalo e gentilmente arranjou um modo deles estarem juntos, ora andavam ao horizonte, ora ela se permitia ser levada e receber o vento no rosto, e cabelo, assim como o quadro. O amor andando daquele jeito, todo se tremendo, todo se bulindo, recebia vento no rosto para ser arte, para ser deleitável e não intoxicável. Ao sentar para descansar no sofá verde musgo - bastante confortável para dizer a verdade - eles discordaram sobre o filme, sobre o tempo, sobre detalhes da caminhada, ela ria, ele dizia que a piada não houve graça, ela morria de frio, e o tempo para ele era sempre calor ou extremamente fresco - o que era o frio? Embora opostos, como cores opostas na escala cromática, o tom quente abraçou o tom frio, a cada toque uma intensidade, a cada modo um ajuste e seus corações descansavam sabendo do pertecimento de causa. Houve beijo, e houve começo, ali não era o fim, era o começo de longas manhãs, havia dias que mesmo com a janela da casa fechada  o sol era tanto que os raios entravam e os despertavam, havia dias que mesmo com todas as tentativas de melhora eram dias sombrios as tintas estavam sensíveis e qualquer movimentação errada era sinal de guerra instalada. Dias de escuridão é necessário o quadro se expor ao escuro, onde a intimidade é revelada, um lugar fresco, encontrar o seu lugar de segurança e sem poeiras - as coisas velhas se passaram e tudo se fez novo. 

   Eles nunca tinham pensado que o amor é um quadro pintado a óleo, que ambos em suas diferenças se rendiam em busca da neutralidade como tintas e construía algo único, nunca visto, através das suas palavras, canções e ações. E sussurram entre si várias vezes voilà, voilà, voilà, voilà, era como se dissessem aqui está o nosso amor, aqui está as nossas contradições, aqui somos dois que buscamos virar apenas um, aqui está a nossa pintura, feita longamente, construída, e não algo imediato. Voilá! Receba o vento no rosto que relembra que deve ser leve e não pesado. Voilá, eu deixo você pintar em mim sua cor,  voilá tome as minhas mãos, voilá deleite-se no quadro.


Esse texto é para matar a saudade da escrita, mas também para entregar a alguém.

Para nós que muitas vezes me faz desmistificar o relacionamento perfeito da comédia romântica, mas me faz ver 1 Coríntios 13, onde o amor é paciente, não é soberbo e esquece das coisas que foram feitas contra nós. Para nós que temos pincéis em mãos, mas somos conscientes a existência de um Artista maior que nós. Para você que me ama quando não me amo, e fica de baixo da lona esperando a chuva passar, para você que segura minha granada, que entende que nosso amor não é de filme nem nada, mas a bilheteira nós dois compramos, e bilhete comprado não é bilhete jogado fora. Para você que eu sinto um desconforto em usar certas palavras, mas eu te amo.

Obrigada Espírito Santo 

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